O mercado de tecnologia corporativa vive uma de suas maiores transformações históricas. Se antes os sistemas de gestão empresarial, os famosos ERPs (Enterprise Resource Planning), eram vistos puramente como ferramentas de controle, conformidade fiscal e catalogação de processos rotineiros, hoje eles passam por uma mutação inevitável. Na era dos dados integrados e das LLMs (Large Language Models), o ERP reassume seu papel definitivo: o de ser o coração estratégico do negócio, mas agora impulsionado por um cérebro de Inteligência Artificial.
Esse panorama foi o ponto central de um debate profundo no Trend Off, o podcast de marketing, tecnologia e tendências da Skyone. O episódio contou com a participação especial de Dama Roman, Podcast Host & Head de Marketing Digital do renomado Portal ERP, que trouxe insights valiosos baseados na sua bagagem de mais de 150 entrevistas com líderes e CEOs do setor de software de gestão.
Abaixo, analisamos como o cruzamento entre infraestrutura em nuvem, governança de dados e IA generativa está desenhando o futuro do mercado corporativo.
Um dos fenômenos mais fascinantes do mercado brasileiro de software é a existência de empresas robustas com décadas de estrada que operavam sob o radar do grande público. Como destacado por Dama durante o podcast:
“O que eu achava mais curioso no início é que eu entrevistava empresas que tinham muitos anos de mercado e não apareciam tanto, então não tinham um posicionamento digital. […] São gigantes desconhecidos! Completamente. 17 anos, 25 anos, 30 anos de história, com muitos clientes na carteira.”
Dama Roman, Podcast Host & Head de Marketing Digital no Portal ERP
Historicamente, o marketing dessas soluções era transacional e impresso, o famoso “marketing de nota fiscal”, onde o cliente notava a marca do ERP no papel impresso. Hoje, o cenário mudou. O mercado nacional de sistemas de gestão conta com mais de 19 mil empresas, variando de players generalistas a verticais altamente especializadas em nichos como varejo, agronegócio e restaurantes.
Com tamanha pulverização, focar apenas na geração de demanda direta (tráfego pago focado em conversão comercial imediata) tornou-se uma estratégia cara e ineficiente a longo prazo. O diferencial competitivo real migrou para o posicionamento de marca e a autoridade. Para se destacar em meio a 19 mil concorrentes, a marca precisa resolver dores específicas e comunicar com clareza o seu diferencial, em vez de tentar abraçar o mundo e falhar na entrega da mensagem.
Por definição, o ERP concentra toda a estrutura viva de uma empresa: jurídico, RH, financeiro e comercial. É o repositório central dos dados corporativos. No entanto, o mercado enfrenta o “paradoxo do caderninho” ou a “cultura do Excel paralelo”. Muitas organizações contratam soluções de alto valor agregado e ciclos longos de implantação, mas os colaboradores continuam extraindo dados para planilhas isoladas, subutilizando o potencial do sistema.
A grande virada de chave do mercado é a incorporação de IA para transformar esses sistemas de controle em sistemas de inteligência. A IA embarcada elimina a necessidade de análises manuais e downloads de relatórios estáticos, permitindo que gestores tomem decisões preditivas diretamente nas plataformas.
Para que essa evolução aconteça sem atritos e sem a necessidade de reescrever códigos complexos em sistemas legados, soluções de modernização ganham protagonismo. É aqui que entra o papel de infraestruturas modernas prontas para IA.
Para os desenvolvedores de software (ISVs) e grandes empresas que operam com aplicações robustas ou monolíticas, migrar para a nuvem pública e adotar IA pode parecer um processo lento e arriscado. O Skyone Autosky soluciona essa dor ao conectar sistemas legados diretamente ao ecossistema de nuvem e inteligência artificial por meio de uma Migração Sem Alteração de Código.
A plataforma democratiza o acesso à infraestrutura de alta performance, permitindo que softwares cliente-servidor sejam acessados via navegador de forma leve e segura (arquitetura Zero Trust e MFA), preparando os dados históricos da empresa para alimentar dashboards inteligentes, predizer cenários e automatizar decisões via Machine Learning.
Se a nuvem resolve o problema da infraestrutura e do acesso, o próximo passo estratégico é a orquestração e transformação dos dados em valor real. O mercado corporativo está deixando para trás a fase de apenas “fazer perguntas para um chat” e entrando na era dos Workflows Agênticos.
O Skyone Studio exemplifica essa evolução ao integrar quatro pilares essenciais em uma única interface: iPaaS, Lakehouse, Agentes de IA e uma Camada de Conversação com BI corporativo.
Ao contrário dos modelos tradicionais, os agentes de IA desenvolvidos no Skyone Studio operam de forma muito mais autônoma e colaborativa com equipes humanas:
Esse nível de automação inteligente mitiga um dos maiores gargalos discutidos por gestores de tecnologia: a escassez de talentos especializados para desenvolver e manter arquiteturas complexas de IA e dados.
Outro fator crítico que tem acelerado a busca por dados organizados e sistemas flexíveis é a iminência da Reforma Tributária no Brasil, além de exigências globais como o faturamento eletrônico (recentemente discutido na Europa). No podcast, Dama apontou que episódios sobre IA e reforma tributária estão entre os mais valiosos para a audiência, evidenciando uma preocupação latente no mercado:
“Surgiu o assunto de embarcar a IA dentro do ERP para que haja mais eficiência e assertividade na tomada de decisões com os dados mais organizados e mais estruturados. […] E também a reforma tributária: será que se as empresas que são meus clientes não se prepararem, vão existir daqui algum tempo?”
Dama Roman, Podcast Host & Head de Marketing Digital no Portal ERP
Garantir a governança de dados não é mais apenas uma medida de eficiência, mas de sobrevivência regulatória. Sem dados centralizados, limpos e integrados, responder a auditorias e se adaptar a novas matrizes fiscais torna-se um fardo operacional insustentável.
O futuro dos negócios exige que a liderança encare a tecnologia não como um centro de custo, mas como o motor de diferenciação competitiva. Para isso, as barreiras internas também precisam cair. Como bem enfatizado no encerramento do podcast, o desalinhamento entre equipes de marketing e comercial é o caminho mais rápido para a ineficiência corporativa. O posicionamento de marca sólido apoia o comercial na redução do ciclo de vendas de softwares complexos, enquanto dados estruturados e inteligência artificial fornecem os insights necessários para antecipar as dores reais do cliente.
Este artigo foi baseado nas ricas discussões e entrevistas de bastidores que moldam o mercado de tecnologia. Quer conferir o bate-papo na íntegra, conhecer mais histórias marcantes (como a do fundador da Totvs, Ernesto Haberkorn) e entender as transformações do ecossistema de tecnologia?
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