O mercado de tecnologia corporativa (B2B) frequentemente opera sob uma lógica estritamente racional. Entre infraestruturas multi-cloud, arquiteturas de dados complexas e protocolos rígidos de cibersegurança, as marcas tech costumam falar com o mercado por meio de jargões densos e interfaces abstratas. No entanto, por trás de cada linha de código e de cada decisão de infraestrutura, existem pessoas.
Para romper essa barreira de complexidade e trazer uma abordagem mais amigável, acolhedora e próxima ao ecossistema corporativo, a Skyone desenvolveu a CL@UD-IA: a nova mascote e embaixadora de inteligência de dados da marca.
Em um episódio especial do Trend Off, o podcast de marketing, tendência e tecnologia da Skyone, Felipe Wasserman conduziu uma bancada estratégica ao lado dos criadores do projeto: Caio Fukumori, designer do time de branding com quase uma década de experiência na fusão entre negócios e criação, e Letícia Crosilla, especialista e pós-graduada em branding. O trio revelou os bastidores, a mitologia e a estratégia de negócios por trás do nascimento da CL@UD-IA.
Abaixo, analisamos como esse lançamento reflete as tendências de brand assets, o uso prático de inteligência artificial na economia criativa e o impacto de um storytelling humanizado no setor B2B.
No desenvolvimento tradicional de marcas, o design visual costuma ditar o nascimento de um personagem. Na jornada da CL@UD-IA, o processo foi invertido. O nome nasceu como o primeiro conceito, carregando um duplo sentido intrínseco à atuação da própria Skyone: a brincadeira com o termo Cloud (nuvem) e a sigla IA (Inteligência Artificial).
Contudo, a escrita padrão “Cláudia” esbarrava em um desafio de posicionamento: parecia comum demais ou desconectada do DNA tecnológico da empresa. A solução veio com uma estilização tipográfica digital. Ao adotar grafias e símbolos que remetem ao ambiente de desenvolvimento, a marca cunhou uma identidade visual forte no próprio nome. Como pontuou o Diretor de Marketind da Skyone, Felipe:
“Ficou perfeita porque é aquele apelo de criar com cara tech, meio digital… junta tudo e aí depois foi para a segunda parte.”
A partir do nome definitivo, o time de Branding iniciou pesquisas de mercado, mapeando referências no segmento de tecnologia. Um padrão claro emergiu: a maioria das grandes Big Techs globais adota animais ou criaturas antropomórficas em vez de robôs literais. O desafio do time passou a ser a criação de um ser único, distinguível e que não causasse estranhamento ao leitor.
A criação de um ativo de marca desse porte costuma ser delegada a agências externas, envolvendo orçamentos expressivos e cronogramas extensos. A Skyone optou por um caminho ágil e totalmente interno, utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa como aceleradoras de hipóteses.
O time utilizou agentes de IA baseados em Large Language Models (LLMs) para estruturar o briefing e rodar as primeiras iterações visuais. O processo exigiu resiliência: foram mais de 150 versões testadas até que o design alcançasse o “efeito UAU” na primeira impressão.
Cada elemento do design da mascote foi projetado com uma intenção clara, diferenciando o design focado em objetivos da arte puramente estética:
“O desafio é sempre distinguir, diferenciar, mas não tornar estranho. Queremos que a mascote seja diferente de qualquer outra… que a pessoa olhe e veja que é um ser tech, de uma empresa tech, que tem a ver, mas que seja amigável.”
Como explicou Caio Fukumori, designer do projeto
Para criar conexão emocional verdadeira, um mascote necessita de um background. O time de Branding utilizou o Gemini para estruturar a jornada da CL@UD-IA, construindo uma narrativa que funciona como uma metáfora perfeita das dores de mercado atendidas pelo portfólio de produtos da Skyone.
Na mitologia oficial, a CL@UD-IA habitava o Planeta Skyone, um ambiente altamente evoluído onde os dados fluíam de forma natural, segura, escalável e perfeitamente organizada na nuvem. De repente, ela captou um sinal vindo de um planeta distante: a Terra.
Por aqui, as empresas tentavam adotar Inteligência Artificial, mas os sistemas operavam em silos (muitas vezes presos a estruturas on-premise legadas). Sem dados estruturados, as IAs da Terra sofriam com alucinações, gerando relatórios imprecisos e caos operacional.
Como uma heroína tecnológica, a CL@UD-IA cruzou o cosmos em seu foguete para trazer as soluções do Planeta Skyone à Terra, descomplicando a IA e mostrando que a escalabilidade e a segurança em nuvem são os caminhos para o futuro.
A ausência de um vilão clássico personificado abriu espaço para debates criativos na equipe. No contexto atual, os verdadeiros antagonistas combatidos pela CL@UD-IA são os problemas crônicos de TI: a desorganização de dados, a lentidão de sistemas monolíticos e as ameaças de cibersegurança.
A introdução da CL@UD-IA não é uma ação isolada de marketing; ela passa a figurar como um asset de marca corporativo (um ativo de propriedade exclusiva da Skyone).
“A ideia principal da Skyone é tirar esse complexo da tecnologia, deixá-la mais humanizada, amigável e acolhedora. A CL@UD-IA vem justamente para isso. Ela consegue ser um elemento que você associa ao objetivo da marca, tornando-se uma lembrança, um ativo permanente.”
Letícia Crosilla, responsável pela estratégia de branding
Com o lançamento do Skyone Studio, plataforma unificada que integra iPaaS, Lakehouse, Agentes de IA e BI, a empresa passou a abranger todo o ecossistema de inteligência de dados. Nesse cenário, a CL@UD-IA assume o papel de parceira técnica especialista dos clientes. Ela traduz funcionalidades complexas de orquestração multi-agente, fluxos de trabalho e tokenização em uma linguagem acessível para diferentes níveis de maturidade digital dentro das empresas (do desenvolvedor sênior ao diretor financeiro).
Para garantir que a mascote preserve seu valor estratégico e não perca credibilidade, a Skyone desenvolveu um manual rígido de governança de marca, estabelecendo os limites de atuação da Cláudia no ecossistema digital e físico.
| O que a Cláudia PODE fazer (Do’s) | O que a Cláudia NÃO PODE fazer (Don’ts) |
| Explicar conceitos: Tirar dúvidas técnicas sobre integração de dados e cloud de forma didática. | Cesta de cobrança: Atuar em comunicações agressivas de cobrança ou finanças. |
| Estreitar laços físicos: Estar presente em eventos corporativos, brindes colecionáveis e pelúcias para gerar afeto. | Perder a sobriedade: Atuar de forma desordenada (o famoso “oba-oba”), que descaracterize a autoridade técnica da marca. |
| Comunicação Multicanal: Interagir em canais automatizados, plataformas de conversação e jogos educativos. | Substituir a segurança: Ser associada a vulnerabilidades; ela deve sempre transmitir robustez e proteção Zero Trust. |
Essa divisão clara protege o ativo. A CL@UD-IA pode personificar um agente inteligente de atendimento para simplificar a jornada do usuário, mas nunca deve ser associada a experiências negativas ou burocráticas do cliente.
O nascimento da CL@UD-IA simboliza um novo capítulo na evolução da Skyone. Ao unir design estratégico, inteligência artificial e uma narrativa focada em solucionar as dores do mercado corporativo, a marca demonstra que a tecnologia de ponta pode (e deve) ser amigável. Quando um time interno respira a essência da marca para criar um ativo autêntico, o mercado responde com engajamento e confiança.
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