O mercado de tecnologia e investimentos vive em um ciclo constante de transformações. Se há poucos anos o ecossistema global celebrava rodadas de captação astronômicas com base em promessas de digitalização e metaverso, o cenário atual exige muito mais pé no chão, eficiência operacional e, acima de tudo, a geração real de valor.
Neste artigo denso e analítico, vamos mergulhar nos bastidores do mercado de fusões, aquisições (M&A) e investimentos em tecnologia. O conteúdo é baseado nos insights valiosos de um painel de peso no ecossistema tech: Bruno Salari (M&A na Skyone) e Kaique Vega (especialista em investimentos e relações com investidores da Skyone).
Prepare-se para entender o novo panorama de valuations, por que o Corporate Venture Capital (CVC) está se reconfigurando, o papel das infraestruturas de IA e como os talentos humanos se tornaram os ativos mais valiosos do mercado financeiro.
Nos últimos seis anos, o mercado global passou por flutuações extremas. Durante o auge da pandemia (2020–2021), a injeção massiva de liquidez e as taxas de juros globais próximas a zero inflaram o mercado de capitais. Multiplicavam-se os unicórnios avaliados sob métricas puramente baseadas em múltiplos de receita.
Hoje, o cenário macroeconômico é completamente diferente. Com taxas de juros reais elevadas (como a Selic em patamares de 15% no Brasil), o custo do capital subiu vertiginosamente.
Como pontua de forma precisa Bruno Salari:
“As pessoas fazem valuations de diversas formas, mas o que dirige o valuation nada mais é do que o fluxo de caixa descontado. O valuation está sempre baseado em quanto uma empresa vai gerar de caixa, de agora até o infinito, descontando isso a uma taxa de retorno mínimo que eu exijo para investir dado o risco.”
Quando a taxa básica de juros da economia está elevada, o prêmio de risco exigido para investir em uma startup de tecnologia precisa ser proporcionalmente muito maior (alcançando taxas de desconto de 25% a 30%). Ao trazer os fluxos de caixa futuros a valor presente sob essa taxa de desconto agressiva, o valuation despenca.
Essa mudança gera um descompasso de expectativas entre fundadores e compradores. Como explica Kaique Vega:
“Hoje em dia, se você vai conversar com um empreendedor, ele ainda está com a cabeça lá atrás. Ele lembra que naquela época o valuation estava cinco, seis vezes receita. Hoje em dia, se formos fazer um bid, vai ser três ou quatro vezes a menos do que ele receberia naquela época.”
| 📈 Cenário 2021 (Juros Baixos) ➔ | ➔ Baixa Taxa de Desconto | ➔ Valuations Inflados (Múltiplos de Receita) |
| 📉 Cenário 2026 (Juros Altos) ➔ | ➔ Alta Taxa de Desconto | ➔ Valuations Realistas (Foco em Geração de Caixa) |
Diante desse cenário de capital caro, o fenômeno do Corporate Venture Capital (CVC), braços de investimento de grandes corporações em startups inovadoras, também mudou de ritmo.
No período de vacas gordas, grandes empresas criavam fundos de CVC com foco em buscar disrupção externa rápida. Atualmente, com a eficiência e a produtividade no centro da estratégia das corporações, os investimentos tornaram-se muito mais criteriosos.
Uma tese sólida discutida no painel é que o investimento puramente voltado ao desenvolvimento inicial de produto (Venture Building) perdeu espaço. Graças à computação em nuvem, ferramentas de low-code, no-code e o avanço revolucionário do Vibe Coding (programação assistida por IA), criar um produto do zero tornou-se extremamente barato.
A barreira de entrada técnica desmoronou. Consequentemente, o verdadeiro valor de mercado não está mais em construir o produto básico, mas sim em escalar a solução comercialmente. Se uma startup não traz consigo mercado, capilaridade, clientes consolidados ou estratégias maduras de Go-To-Market, dificilmente ela justificará um investimento estratégico.
Em um mundo onde a inteligência artificial consegue replicar códigos, criar integrações e simular arquiteturas de software inteiras em minutos, surge uma pergunta crucial: o que a IA ainda não consegue copiar?
A resposta é simples: pessoas e a sua capacidade de contextualização.
Esse fator explica a ascensão das estratégias de Acqui-hiring (aquisições de empresas focadas primordialmente na absorção de seus talentos técnicos e especialistas). No ecossistema global de IA e cibersegurança, grandes players de tecnologia chegam a pagar valuations bilionários por empresas com o intuito central de contratar cientistas de dados específicos ou equipes hiper-especializadas.
Kaique Vega detalha essa dinâmica estratégica:
“Para players estratégicos, quando pensam em adquirir companhias, existem cenários em que o acqui-hiring faz muito sentido. Às vezes, aquele pool de talentos consegue agregar algo que o time interno não tem hoje, ou o time possui uma defasagem de certificações específicas, por exemplo, no setor de cibersegurança.”
Ao invés de despender anos estruturando, treinando e certificando uma equipe interna do zero para atuar em frentes complexas de segurança da informação ou ciência de dados, as empresas realizam aquisições focadas em capital humano para acelerar a geração de caixa no valor presente.
Diferente do ciclo do metaverso, a Inteligência Artificial provou ser uma tecnologia transformadora que veio para ficar e redefinir a produtividade corporativa. Contudo, a IA de alta performance exige uma base robusta que as empresas muitas vezes negligenciam: a infraestrutura.
Para a ampla maioria das empresas, tentar construir ou treinar modelos fundamentais de IA do zero é uma estratégia cara e ineficiente. O principal vetor de geração de valor e inovação está na camada de aplicação, ou seja, em como você conecta a IA a problemas reais do negócio utilizando os seus dados de forma segura.
É aqui que plataformas como o Skyone Studio fazem a diferença. O Skyone Studio integra de forma unificada:
Para fechar as discussões com foco em produtividade real, os participantes compartilharam seus pequenos hacks pessoais que geram grandes resultados operacionais no dia a dia:
“Eu uso bastante os GPTs no meu dia a dia profissional focado em estratégia. Quando estou no meio de uma negociação difícil, dou todo o contexto em um prompt bem detalhado e pergunto: ‘Quais são as potenciais estratégias que posso tomar? Emocionalmente, para qual direção o outro lado está me indicando?’. Isso funciona como um excelente sparring estratégico de mente.”
IA como Sparring estratégico por Bruno Salari
No ecossistema de M&A, lidar com fundadores exige sensibilidade. Kaique utiliza IA generativa para calibrar o tom das interações interpessoais, refinando abordagens, e-mails de follow-up e o engajamento inicial com potenciais vendedores. Do lado operacional, utiliza ferramentas inteligentes para mapear listas qualificadas de leads B2B baseadas em tráfego de site, faturamento estimado e estruturas organizacionais, reduzindo horas de pesquisa manual no Google para poucos minutos.
A era da Inteligência Artificial e da computação em nuvem não veio para substituir o julgamento humano, mas sim para maximizar nossa capacidade de execução. Seja ajustando a infraestrutura de um ERP legado via nuvem na Skyone, seja orquestrando múltiplos agentes de IA no Skyone Studio, o diferencial competitivo sustentável continuará sendo desenhado por pessoas resilientes, consistentes e focadas em governança corporativa.
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