No universo dinâmico da tecnologia e do marketing B2B, a busca pela escalabilidade é uma constante. No entanto, o caminho para alcançar resultados expressivos não é linear e exige muito mais do que a simples adoção de ferramentas de última geração. Para debater os reais bastidores de uma operação de receita previsível, o podcast Elas em Tech, apresentado por Thais Cano (Diretora de Planejamento Comercial na Skyone), recebeu Carina Lima, estrategista de marketing e de receita com mais de 15 anos de mercado.
Carina, reconhecida por liderar transformações profundas em empresas de tecnologia e SaaS B2B, compartilhou o framework estratégico por trás de números impressionantes de sua trajetória: um aumento de 164% no valor das propostas emitidas em MRR (Monthly Recurring Revenue), expansão de 124% nos ganhos mensais, elevação de 120% na geração de SQLs e uma eficiência de funil triplicada.
Abaixo, analisamos detalhadamente as premissas analíticas, a quebra de paradigmas sobre Inteligência Artificial e a visão de liderança discutidas nesse ecossistema tech.
Muitos gestores ao assumirem um novo desafio acreditam que a principal barreira é a falta de dados. Carina Lima desmistifica esse cenário:
“O desafio hoje não é mais ‘ai, não tem dados’. Hoje em dia todo mundo tem dados… A questão é qual é a qualidade desses dados, o quanto eles são confiáveis.”
Para que os dados gerem inteligência acionável, o alinhamento das premissas precisa ser milimétrico. Se o time de marketing e o time de vendas possuem definições distintas sobre o que constitui um MQL (Marketing Qualified Lead) ou um SQL (Sales Qualified Lead), qualquer métrica de conversão torna-se fictícia.
Antes de desenhar fluxos automáticos complexos, a estratégia implementada envolveu reuniões semanais de alinhamento tático: as equipes de marketing e vendas sentavam-se para analisar, lead por lead, a categorização de ICP (Ideal Customer Profile), Acceptable ou Bad Fit. Somente após o entendimento prático estar perfeitamente unificado entre as duas áreas é que o processo foi automatizado.
Essa integração reduz o histórico conflito cultural entre marketing e vendas, direcionando ambos os times para a mesma meta de negócio: faturamento e geração de pipeline, em vez de métricas de vaidade.
A estruturação dessa máquina de aquisição encontrou sustentação nos frameworks e conteúdos da Win-the-Design (comumente associada ao conceito de Bowtie ou gravata-borboleta para a jornada unificada de marketing, vendas e Customer Success).
A tangibilização de processos por meio de um método testado e validado pelo mercado substitui o chamado “vendas freestyle”. Conforme destacado no bate-papo, a aplicação de frameworks traz:
A inteligência artificial transformou radicalmente a eficiência operacional de marketing e receita, integrando-se perfeitamente a ecossistemas modernos como o Skyone Studio, que une barramento de integração (iPaaS), Lakehouse e agentes inteligentes para eliminar silos corporativos. Carina Lima aponta que, na Neoassiste, a IA foi peça-chave para otimizar campanhas de Target Account (ABM), cruzando dados públicos e correlacionando códigos de CNAE a segmentos específicos em uma velocidade humanamente impossível.
No entanto, há um limite crítico para a aceleração tecnológica: as relações humanas.
“A confiança num processo B2B, principalmente de venda complexa, existe um processo de ganho de confiança para que a compra aconteça. Esse ganho de confiança não foi acelerado. As pessoas não passaram a confiar mais rápido na empresa depois da IA.”
— Carina Lima
Existe uma pressão de mercado para que os ciclos de fechamento reduzam na mesma velocidade com que uma IA gera um texto ou uma proposta. Contudo, em vendas complexas de tecnologia, o tempo de maturação do relacionamento e a segurança do comprador em relação ao fornecedor permanecem humanos. A IA escala a entrega e a eficiência, mas não substitui o elo relacional.
O ecossistema de dados e growth historicamente carrega um forte estereótipo masculino. Para cavar espaço e construir autoridade em áreas altamente analíticas, muitas mulheres enfrentaram a necessidade de criar “armaduras” comportamentais no passado para garantir que fossem ouvidas em mesas de decisão.
Hoje, iniciativas como a comunidade Mulheres de Growth atuam ativamente para transformar essa realidade, fomentando espaços educacionais, networking e mentoria para que lideranças femininas exerçam sua gestão de forma autêntica, acolhedora e baseada em competência técnica, sem a necessidade de replicar modelos rígidos de conduta.
Para profissionais que buscam alcançar cadeiras executivas em tecnologia, o principal conselho consolidado no painel é transcender as barreiras da sua especialidade tradicional. O mercado corporativo tem demandado cada vez menos analistas estritamente isolados em suas funções (seja performance, CRM ou SDR) e aberto espaço para perfis focados em RevOps (Revenue Operations) e visões generalistas de negócio.
“Marketing que não gera receita é só distração. Então, não estude só marketing. Tá estudando marketing? Legal… mas vamos estudar receita, revops, vamos estudar vendas, vamos estudar produto, vamos estudar tecnologia.”
A construção de uma receita verdadeiramente previsível exige o alinhamento de infraestrutura escalável, ciência de dados e o profundo respeito ao tempo das interações humanas.
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