O mercado de marketing e tecnologia está passando por uma das transformações mais profundas de sua história. Se há alguns anos a eficiência de um profissional era medida estritamente pelo seu domínio técnico de ferramentas, como configurar um CRM ou analisar dados de tráfego, hoje as regras do jogo mudaram. A ascensão da Inteligência Artificial Generativa e a velocidade das transformações digitais nivelaram o conhecimento técnico e trouxeram um novo desafio para as empresas: como contratar e reter talentos que realmente gerem valor estratégico?
No mais recente episódio do podcast Trend Off, Fernanda Nascimento (CEO da Stratlab) e Ricardo Ribas (Senior Vice President da Hays) debateram profundamente as dores, os gargalos e as soluções para o cenário atual de recrutamento executivo e operacional. A conclusão é unânime: o currículo tradicional, de formato engessado e binário, já não é suficiente para garantir o sucesso de uma contratação.
Neste artigo completo, vamos explorar os principais insights dessa discussão e entender como líderes e profissionais podem navegar nessa nova era.
Uma das maiores reclamações das empresas modernas gira em torno da alta rotatividade em cargos de marketing, especialmente em posições de CRM (Customer Relationship Management) e no topo da pirâmide, na cadeira de CMO (Chief Marketing Officer). Mas por que essas vagas giram tanto?
De acordo com Ricardo Ribas, existem dois motivos principais para esse fenômeno:
Fernanda Nascimento aponta que o segmento B2B (Business-to-Business) entendeu essa dor um pouco antes ao adotar estruturas de CRO (Chief Revenue Officer). Ao colocar vendas e marketing sob o guarda-chuva de uma única estrutura de receita, o marketing é forçado a mostrar o caminho direto “do lead para o dinheiro”, provando o Retorno sobre o Investimento (ROI) nos KPIs que o CFO e o CEO realmente acompanham. Quando o marketing se torna puramente estratégico e focado em negócios, o turnover diminui.
Se o conhecimento técnico está se tornando uma commodity, o que define uma boa contratação? Ribas traz uma estatística alarmante que se mantém há anos no mercado de trabalho:
“De cada 10 contratações, 7 são por motivos técnicos (porque a pessoa conhece uma ferramenta específica, fala inglês, etc.). Mas de cada 10 demissões, 8 são por motivos comportamentais.”
Ricardo Ribas
Esse descompasso prova que os processos seletivos tradicionais estão falhando ao avaliar os candidatos apenas por meio de folhas de papel ou perfis estáticos. O currículo, em sua configuração antiga, perdeu espaço para a análise da essência do indivíduo. Para posições de marketing, por exemplo, o que o candidato posta no LinkedIn, suas interações em comunidades e seus interesses pessoais revelam muito mais sobre sua paixão e capacidade de aprendizado do que seu histórico corporativo.
O futuro pertence ao conhecimento composto (compound knowledge). As empresas de alta performance buscam habilidades únicas e intersecções raras. Um profissional que entende de marketing, mas que também foi buscar conhecimento em finanças ou tecnologia, torna-se uma peça insubstituível porque consegue dialogar com diferentes áreas da empresa, quebrando silos organizacionais.
Durante muito tempo, o conceito de Cultural Fit (ajuste cultural) dominou o recrutamento: buscava-se alguém que se adequasse perfeitamente à cultura existente. No entanto, o mercado atual exige disrupção, e o foco mudou para o Cultural Add (adição cultural). A pergunta mudou de “essa pessoa se parece conosco?” para “o que essa pessoa adiciona de diferente à nossa cultura e ao nosso negócio?“.
Uma equipe de marketing ou tecnologia homogênea gera resultados previsíveis e comuns. A verdadeira inovação nasce da fricção saudável entre perfis distintos. Uma liderança resiliente e madura precisa saber orquestrar tanto os perfis mais criativos e disruptivos quanto os perfis mais cartesianos e analíticos (“nerdolas”), dando autonomia para que cada um brilhe em seu superpoder.
Se a liderança tentar moldar todos os colaboradores sob um único padrão rígido, acabará sufocando ideias fora da caixa e gerando frustração coletiva.
A Inteligência Artificial está reconfigurando as estruturas de trabalho. Ferramentas como o Skyone Studio exemplificam como a automação inteligente, baseada em agentes de IA, iPaaS e lakehouse, consegue assumir processos operacionais repetitivos, liberando os seres humanos para focar em iniciativas puramente estratégicas e de alto valor agregado.
No recrutamento, os filtros automatizados por IA ajudam na triagem de grandes volumes de vagas, mas há uma crítica importante: os algoritmos tendem a buscar sempre o óbvio (buscar alguém que já faz exatamente a mesma função no concorrente). No entanto, Ricardo Ribas defende que os melhores recrutamentos são os não óbvios. Trazer profissionais de mercados completamente diferentes (como contratar alguém da saúde para o consumo, ou da tecnologia para a indústria) traz um pensamento disruptivo que a máquina, programada para seguir padrões, ainda não consegue replicar.
Portanto, o grande diferencial humano na era da IA é justamente a nossa uniqueness (singularidade): nossa capacidade relacional, inteligência emocional e a habilidade de fazer as perguntas certas, e não apenas dar respostas binárias.
Se você é um profissional em busca de recolocação ou quer acelerar sua carreira rumo a cargos gerenciais e executivos, o painel do podcast recomendou três pilares essenciais:
1. Aprenda a contar sua história: esqueça o elevator pitch robótico. As empresas contratam por meio de boas histórias. Saiba articular claramente por que você tomou suas decisões de carreira, quais problemas resolveu e quais legados deixou por onde passou.
2. Faça networking intencional e participe de comunidades: cerca de 60% a 70% das posições executivas no Brasil são preenchidas via indicação e networking. Estar em ambientes seguros e comunidades permite compartilhar vulnerabilidades, trocar conhecimentos práticos e acessar oportunidades antes mesmo de virarem vagas públicas.
3. Busque conhecimento fora da sua bolha: se você é de humanas, vá estudar finanças básicas e tecnologia. Se você é de exatas, estude comportamento humano e comunicação relacional. O profissional do futuro possui uma “carreira portfólio” e habilidades compostas.
Em um mundo onde a tecnologia baliza as capacidades técnicas e nivela as ferramentas operacionais, a grande vantagem competitiva de qualquer empresa ou profissional volta a ser o fator mais humano de todos: as relações. Contratar com base na essência, liderar com foco na autonomia e na diversidade, e manter-se aberto ao aprendizado contínuo são os caminhos indispensáveis para prosperar no mercado de marketing e tecnologia.
E você, tem contratado por currículo ou por essência? Sua equipe está pronta para o Cultural Add?
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