O setor supermercadista brasileiro é amplamente reconhecido por sua complexidade operacional, margens operacionais extremamente enxutas e uma resistência histórica a grandes disrupções tecnológicas. Por décadas, a experiência de compra física manteve-se quase inalterada, enquanto a gestão interna dependia de sistemas legados rígidos, planilhas descentralizadas e relatórios com dados inconsistentes. No entanto, o avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA), da arquitetura de integração de dados em nuvem e das mudanças no comportamento do consumidor exige uma imediata reformulação estratégica.
Neste cenário desafiador, a tecnologia deixa de ser vista como um centro de custo passivo e assume o papel de motor primário de rentabilidade, eficiência e experiência do cliente. Para analisar em profundidade como a transformação digital está sendo executada na prática, trouxemos as valiosas visões compartilhadas por Thiago Santana, CIO do Lopes Supermercados.
Historicamente, a expansão e a manutenção das operações supermercadistas esbarravam na fragmentação tecnológica. É comum encontrar organizações operando com ERPs arcaicos, aplicações com algoritmos obsoletos e silos de informação onde a diretoria, a gerência de loja e a equipe de suprimentos visualizam números completamente divergentes para o mesmo indicador financeiro.
Thiago Santana destaca que o maior desafio inicial ao assumir a liderança de TI do Lopes Supermercados foi justamente romper com a inércia cultural e reformular o parque tecnológico arcaico:
“O Lopes vivia com um viés de tecnologias muito arcaicas. Então a gente começou a refatorar todas as tecnologias lá dentro… As empresas precisam de pessoas disruptivas. Mudança é ter vontade de fazer, de inovar e olhar pro negócio, não apenas olhar para a tecnologia.”
— Thiago Santana, CIO do Lopes Supermercados.
Essa mudança de paradigma reconfigura a atuação do executivo de tecnologia. O CIO modernizador não foca na mera manutenção de infraestrutura, mas sim na resolução das dores do negócio. No setor alimentar, onde a perda de estoque e o descasamento de margem podem comprometer a sobrevivência financeira, ter a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) atualizada em tempo real é um diferencial competitivo decisivo.
Através do projeto Acelera Lopes, a rede eliminou o envio manual de planilhas consolidadas. O gerente da loja passa a monitorar a produtividade de vendas, metas de redução de perdas e custos de operação em tempo real diretamente em um aplicativo mobile moderno, viabilizando tomada de decisão ágil e corretiva imediata.
Uma das maiores barreiras enfrentadas pelas equipes de TI tradicionais é o tempo de entrega (time-to-market) de novas aplicações empresariais. Processos legados de desenvolvimento costumavam exigir meses de especificação e codificação. Com a introdução de assistentes de inteligência artificial generativa integrados ao ambiente de desenvolvimento (como a ferramenta Cursor), essa realidade mudou drasticamente.
Santana revelou que, ao municiar uma equipe enxuta de desenvolvedores com ferramentas de IA, a produtividade aumentou entre 60% e 70%, permitindo a criação de mais de 30 aplicações internas proprietárias em tempo recorde:
“Só nos primeiros dois meses a gente já conseguiu criar mais de 10 aplicações através de IA… Teve um dia que deu um problema lá, a gente identificou o problema e em 20 minutos criamos um aplicativo para monitorar o problema. A IA não diminuiu a quantidade de trabalho, mas aumentou drasticamente a velocidade de entrega.”
— Thiago Santana, CIO do Lopes Supermercados.
Essa capacidade de resposta rápida permitiu ao Lopes automatizar até o monitoramento de gargalos no ERP tradicional (SAP), notificando equipes e disparando chamados automáticos via agentes integrados ao WhatsApp.
De nada adianta desenvolver aplicações ágeis se os dados subjacentes forem incorretos ou inconsistentes. No varejo, divergências entre o estoque do ERP, os relatórios do Business Intelligence (BI) e os dados do ponto de venda (PDV) geram prejuízos severos por rupturas (falta de produto) ou excessos de estoque.
Para solucionar a fragmentação de dados e evitar a complexidade e os custos exorbitantes de contratar múltiplos fornecedores isolados para Data Lake, iPaaS e pipelines de IA, o Lopes Supermercados adotou a plataforma Skyone Studio.
A arquitetura unificada fornecida pela Skyone estrutura todo o ciclo de vida dos dados corporativos através de camadas perfeitamente integradas:
“O Studio da Skyone trouxe essa facilidade para nós de não ter que contratar de forma individual essas ferramentas. Em uma única ferramenta com ótimo custo-benefício, a gente tem a segurança dos dados transacionais… Independente do sistema, o número é sempre o mesmo. E ter a confiança de que o dado está correto é o que permite tomar decisões estratégicas reais.”
— Thiago Santana, CIO do Lopes Supermercados.
A migração de sistemas críticos para a nuvem muitas vezes torna-se um pesadelo financeiro e operacional para os CIOs quando realizada sem o parceiro adequado. Provedores internacionais genéricos costumam cobrar faturas em dólar com variação imprevisível e arquiteturas que exigem refatorações complexas.
Durante a entrevista, Thiago pontuou que o Lopes sofria com instabilidade e gargalos em provedores de nuvem de grande porte antes de migrar seus sistemas críticos para a infraestrutura gerenciada da Skyone (Skyone Autosky):
“Eu falo que cloud tem dois Es: estabilidade e escalabilidade. Com a nuvem anterior, além de ser três vezes mais cara, tínhamos paradas e o servidor não escalava. Depois que migramos para a Skyone, não tivemos mais paradas. Se para um cartão Lopes ou um iFood, o cliente fica insatisfeito e não volta.”
— Thiago Santana, CIO do Lopes Supermercados
Através do Skyone Autosky, aplicações monolíticas e sistemas cliente-servidor são migrados para a nuvem pública sem a necessidade de reescrever uma única linha de código (Migração Sem Alteração de Código). A plataforma utiliza algoritmos de Auto-scaling contínuo que ajustam os recursos de processamento (vCPU e memória) minuto a minuto com base na demanda real, garantindo alta performance em picos de vendas sem desperdício financeiro e com faturamento totalmente previsível em moeda local.
Leia também: Migração de ERP sem reescrever código: como funciona
A transformação digital do Lopes Supermercados não ficou restrita ao back-office e aos servidores em nuvem; ela revolucionou diretamente a experiência do consumidor final na loja física (shopper).
Enquanto a maioria das redes varejistas adota modelos padronizados de self-checkout limitados a pequenas compras (até 10 ou 15 itens), o Lopes desenvolveu sua própria solução de autoatendimento em tempo recorde de 30 dias. Integrando balanças industriais de alta precisão com suporte para até 50kg e monitoramento por visão computacional e prevenção de perdas, o sistema aceita fluxos de 20 a 30 itens, reduzindo filas drasticamente.
Olhando para os próximos 5 anos, Santana revelou que a rede está lançando um Super App desenhado com base em estudos globais dos maiores players do varejo (como Shopee e Shein). O objetivo é transformar o supermercado de vizinhança em um polo de conexões diárias e personalizadas:
Um aspecto analítico fundamental abordado durante o podcast diz respeito à eficácia de grandes datas sazonais, como a Black Friday, no varejo alimentício. Diante do cenário econômico pressionado, tanto a indústria quanto os supermercadistas estão mudando suas estratégias de margem e estoque.
| Elemento Estratégico | Modelo Tradicional de Varejo | Modelo Moderno (Lopes + Data-Driven) |
| Foco da Black Friday | Desovar estoques antigos com megaofertas agressivas. | Campanha contínua de margem; controle prévio de excesso e ruptura. |
| Gestão de Estoques | Compras volumosas sem análise de comportamento regional. | Clusterização de lojas por hábito regional de consumo via Analytics. |
| Tomada de Decisão | Relatórios defasados em planilhas ao fim do mês. | DRE na palma da mão do gerente de loja diária e em tempo real. |
| Infraestrutura Tech | Servidores locais suscetíveis a quedas em picos. | Nuvem autoescalável (Skyone Autosky) com estabilidade 24/7. |
Conforme destacado por Santana, o segredo do sucesso no varejo atual não está em megapromoções esporádicas que espremem margens até o prejuízo, mas sim na precisão da compra: “O segredo é comprar bem e saber o que comprar para os momentos de não sazonalidade.”
E para isso, preparamos uma pesquisa rápida de prontidão para a Black Friday, pensada para varejistas e times de tecnologia que querem sair da suposição e enxergar, com clareza, os riscos concretos antes que a data chegue.
A transformação digital bem-sucedida do Lopes Supermercados prova que a tecnologia não é a barreira para a escala, o fator determinante é a cultura organizacional e a liderança disposta a questionar o status quo. Como sintetizou Thiago Santana ao citar os pilares trazidos de sua bagagem executiva: “As empresas precisam de pessoas com paixão por realizar, pragmáticas e disruptivas.”
Com a combinação entre uma gestão apaixonada por resultados, a agilidade do desenvolvimento potencializado por IA e a robustez da plataforma unificada da Skyone (integrando Autosky, Studio e Cibersegurança), o Lopes consolida-se como a grande referência de inovação no varejo de vizinhança.
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