O mercado digital brasileiro não nasceu com os manuais e cursos estruturados que temos hoje. No início da década de 2010, o cenário era de exploração pura: não havia literatura, as ferramentas eram escassas e o aprendizado acontecia “na marra”.
Para entender para onde o mercado está indo, precisamos olhar para onde ele veio. Recentemente, no podcast TrendOff, o especialista Denis Strum, um dos primeiros funcionários da West Wing no Brasil e veterano do ecossistema Rocket Internet, compartilhou sua trajetória, analisando as quebras de paradigmas do marketing, a ascensão do full commerce e o papel central (e humano) da Inteligência Artificial.
Neste artigo, mergulhamos nos principais insights dessa conversa, explorando como a essência do marketing permanece viva, mesmo em tempos de automação extrema.
Em 2012, o ecossistema de startups no Brasil era dominado pela Rocket Internet, que trouxe operações como Netshoes, Dafiti e West Wing. Denis Strum relembra que, naquela época, até conceitos básicos como UTM (Urchin Tracking Module) eram desconhecidos pela maioria dos profissionais locais; não havia informação disponível no Google em português sobre como rastrear a origem de um acesso.
A West Wing, especificamente, enfrentava um desafio triplo:
Essa fase foi a escola do “marketing de performance raiz”, onde a aquisição de clientes era alimentada por newsletters massivas e a transição do desktop para o mobile ainda era uma aposta de futuro.
Muitos gestores tentam separar drasticamente as estratégias para empresas (B2B) e para consumidores finais (B2C), mas Denis Strum argumenta que a raiz é a mesma: construção de autoridade.
Independentemente do modelo, o profissional de marketing moderno deve ser capaz de pensar em todo o funil e, acima de tudo, saber conversar com o time de vendas para garantir que a máquina de interesse se transforme em receita recorrente.
Após empreender com marcas nativas digitais (DNVBs) como a Jack the Barber, Denis Strum migrou para o mundo dos serviços, focando no modelo de Full Commerce.
Muitas indústrias e marcas tradicionais falham ao tentar vender online porque se perdem em questões conceituais ou operacionais. O Full Commerce surge para terceirizar 100% dessa jornada com um único parceiro, abrangendo:
O objetivo é permitir que a marca foque no que faz de melhor, o produto, enquanto o parceiro de full commerce garante que a engrenagem digital gire sem os ruídos de comunicação comuns entre múltiplas agências e fornecedores logísticos.
A grande mudança atual é, sem dúvida, a Inteligência Artificial. No entanto, Strum traz uma perspectiva provocadora: a IA não vai substituir a necessidade de pensar; ela vai expor quem não pensa.
Em um mundo onde é fácil pedir para um LLM (como o ChatGPT) escrever um post para o LinkedIn, o mercado ficará saturado de conteúdos superficiais. O destaque virá de quem possui:
“O fator humano será cada vez mais importante. O mais humano é o pensar.” — Denis Strum.
A mensagem final para quem está entrando no marketing ou buscando se reinventar é clara: fuja da superficialidade. O sucesso em um ambiente tecnológico de alta volatilidade não vem de decorar ferramentas, mas de entender pessoas e processos.
O marketing mudou drasticamente em termos de ferramentas e canais, saindo da era das capas de revista e comerciais de TV para os algoritmos de IA, mas a sua raiz, baseada em experiência e autoridade, continua a mesma.
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