No cenário tecnológico atual, onde a Inteligência Artificial (IA) e sistemas complexos de gestão dominam as pautas executivas, surge um desafio crítico: como treinar equipes para vender soluções que o cliente muitas vezes não compreende tecnicamente?
Vender tecnologia hoje não é mais sobre listar funcionalidades; é sobre impacto de negócio. Para discutir as nuances dessa transformação, o podcast Builders recebeu Sérgio Kanashiro, veterano com 30 anos de trajetória na SAP, e Felipe Ferreira, responsável pela expansão de franquias na Skyone.
Neste artigo, detalhamos os pilares estratégicos discutidos para capacitar times de vendas e pré-vendas na era da inteligência.
Um dos maiores obstáculos para vendedores técnicos é o que Sérgio Kanashiro define como a “Maldição do Conhecimento”. Esse conceito descreve a dificuldade que um especialista tem de se colocar no lugar de quem não detém a mesma profundidade de informação.
Equipes técnicas tendem a sobrecarregar o cliente com dados, esperando que algo seja captado. A solução para isso é o foco assertivo nas dores de negócio, e não apenas nas dores de tecnologia.
“Não é sobre o quão rápido você consegue cozinhar, é quanto a pessoa consegue comer. Precisamos respeitar o ritmo da outra pessoa”
Sérgio Kanashiro
Para combater essa maldição, a estratégia sugerida é a humildade intelectual: estar sempre aberto a ouvir o cliente de forma genuína, em vez de formular respostas antes mesmo de a pergunta terminar.
Muitas empresas confundem “proposta” com um documento de papel. Na verdade, a proposta nasce muito antes, no processo de Customer Discovery (ou Customer Development).
Para garantir uma coleta de dados eficaz, Kanashiro sugere a Investigação em T:
Essa abordagem garante que o tempo limitado do cliente seja gasto no que realmente gera valor para ele.
O storytelling é o fio condutor que conecta as funcionalidades de um produto à realidade do usuário. Mas como a IA se encaixa nisso?
Felipe Ferreira destaca que a IA atua como uma ferramenta de estrutura e organização. Ela permite que o vendedor:
Um erro comum apontado é o vendedor “desligar” o storytelling ao iniciar uma demonstração técnica, tornando-se meramente um narrador de cliques. A recomendação é manter o foco no sentimento do usuário e nas decisões de negócio que ele toma enquanto navega na ferramenta.
A capacitação eficaz não se resume a um evento de treinamento isolado. Kanashiro defende a Matriz 10-20-70 para garantir a retenção do conhecimento:
Na Skyone, o gerenciamento de franqueados espalhados pelo Brasil reforça a importância de processos e ferramentas de acompanhamento (como CRM) para garantir que essa esteira de aprendizado seja contínua.
Para encerrar a discussão, os especialistas compartilharam “pequenos hacks para grandes escadas” que podem ser implementados imediatamente:
Capacitar um time de vendas na era da IA exige equilíbrio entre o domínio técnico e a empatia humana. Ao focar na venda de valor, utilizar a IA para estruturar narrativas e respeitar metodologias de aprendizado contínuo, as empresas transformam o complexo em algo desejável e, acima de tudo, lucrativo.
Quer se aprofundar ainda mais nessas estratégias e ouvir os bastidores da trajetória de quem moldou o mercado de pré-vendas no Brasil?
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