Como analisar investimentos com agentes de IA? Entenda

A transformação digital não é mais um evento futuro; é a realidade operacional das empresas que lideram o mercado global. O rápido avanço da Inteligência Artificial (IA), a evolução das arquiteturas de nuvem e a sofisticação das ameaças virtuais redefiniram drasticamente a forma como lidamos com tecnologia e negócios.
Skycast 9 min de leitura Por: Skyone

A transformação digital não é mais um evento futuro; é a realidade operacional das empresas que lideram o mercado global. O rápido avanço da Inteligência Artificial (IA), a evolução das arquiteturas de nuvem e a sofisticação das ameaças virtuais redefiniram drasticamente a forma como lidamos com tecnologia e negócios.

No mais recente episódio do podcast Trend Off — o programa de marketing, tecnologia e tendências —, Felipe Wasserman, Diretor de Marketing e Growth da Skyone, recebeu Robert Dannenberg, CEO da Expo Money.

Em um debate instigante e analítico, os dois abordaram as mudanças de paradigma trazidas pela IA generativa, a viabilidade de empresas “zero funcionário”, a liquidez no mercado secundário e o papel vital de uma infraestrutura de dados e cibersegurança sólida para sustentar a automação do amanhã.

Neste artigo denso e aprofundado, destrinchamos as principais teses levantadas durante esse bate-papo e mostramos como sua empresa pode preparar o terreno operacional para prosperar na era da inteligência.

1. O mito da IA total e a retomada do “Human Touch”

Nos últimos anos, o mercado experimentou um hype avassalador em relação à automação irrestrita. Promessas de eliminar equipes inteiras de atendimento e substituir desenvolvedores por ferramentas no-code ocuparam o imaginário dos executivos. Contudo, a curva de maturidade da tecnologia provou que a inteligência artificial, embora incrivelmente potente, não substitui o fator humano estratégico.

Durante o podcast, Felipe Wasserman pontuou essa mudança de percepção no mercado:

“A gente estava num momento onde as inteligências artificiais não estavam tão avançadas, mas se falava muito mais sobre esse negócio de ser sem humanos. E eu acho que hoje a gente está num momento um pouco diferente da inteligência artificial […] parece que o humano voltou pra figura.”

— Felipe Wasserman, Diretor de Marketing e Growth da Skyone

Robert Dannenberg concordou e destacou a necessidade da supervisão contextual humana na condução das empresas:

“Acho que no começo teve aquele hype de ‘Ah, agora eu posso mandar embora todo o meu call center […] Posso mandar meus devs’. Você percebeu que precisa ter o ‘human touch’ em tudo. […] O que eu vejo no avanço das IAs, dos agentes, é que cada vez mais você tem que saber o que você quer e para onde você quer levar o seu negócio. E isso depende de um humano, das dores que os humanos sentem.”

— Robert Dannenberg, CEO da Expo Money

Essa colaboração entre humanos e IA é o modelo que o Skyone Studio viabiliza. Ao automatizar processos repetitivos e operacionais por meio de fluxos de trabalho inteligentes (iPaaS e agentes de IA), a tecnologia libera o capital humano para tomar decisões estratégicas de alto valor e gerenciar exceções.

2. Startups zero funcionário e a realidade dos agentes de IA

Apesar da importância do toque humano para a visão de negócio, a eficiência operacional alcançou patamares inéditos. Robert Dannenberg compartilhou os bastidores do seu mais novo projeto, a Second Equity, uma startup focada em prover liquidez para o mercado privado de participações secundárias (destinada a founders, executivos e fundos de Venture Capital presos ao longo ciclo de maturação dos unicórnios).

A grande inovação da Second Equity? Ela opera sob o conceito de “zero funcionários” registrados além do próprio fundador.

Para viabilizar essa operação sem criar uma folha de pagamento robusta, Robert estruturou o negócio ancorado em agentes autônomos e sistemas digitais encadeados, nos quais o próprio sistema faz onboarding, verificação documental e follow-up.

“Para cada etapa, tem um tipo de agente que tem uma melhor performance naquela frente. Mas o primeiro critério original do negócio foi o foco que eu criei… a lógica inverteu: eu sabia exatamente qual era a dor e com quem eu queria trabalhar essa dor, e aí é fácil você alinhar os agentes que possam te ajudar nisso.”

— Robert Dannenberg, CEO da Expo Money

Essa orquestração multi-agente deixa de ser um experimento isolado para se tornar um padrão de mercado. Plataformas completas de integração e dados permitem que organizações criem e implantem múltiplos Agentes de IA e Agentic Workflows. Esses agentes conseguem compreender objetivos complexos, consultar dados estruturados e não estruturados em tempo real e agir diretamente nos sistemas legados ou ERPs corporativos.

3. As armadilhas do viés das LLMs nos investimentos e decisões de negócio

Um dos momentos mais enriquecedores da conversa no Trend Off ocorreu quando os participantes discutiram o uso de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) para tomada de decisões financeiras e análises de mercado.

Felipe relatou como utilizou IAs para analisar carteiras de investimentos e constatou uma profundidade surpreendente na análise, superior até mesmo à de muitos gestores tradicionais. No entanto, observou um comportamento curioso: as LLMs pareciam induzir recomendações recorrentes para determinados setores, como empresas do ecossistema de IA ou fundos específicos, enquanto omitiam papéis de mercados como o chinês.

Robert Dannenberg explicou a mecânica por trás dessa limitação:

“A grande pergunta, quando você olha em termos de investimento, você tem que olhar em três ambientes diferentes […] O setor que aquele negócio está… a segunda é uma análise sua, a sua capacidade de investir… e o terceiro é o teu apetite a risco. Isso que normalmente ninguém coloca na mesa.”

— Robert Dannenberg, CEO da Expo Money

Esses vieses acontecem porque as LLMs respondem com base na densidade e otimização das informações com as quais foram alimentadas. Para que as empresas não tomem decisões estratégicas fundamentadas em viés de algoritmos genéricos, é essencial que os modelos de IA trabalhem diretamente sobre a singularidade dos dados da própria empresa.

4. A regra de ouro: não existe IA forte sem infraestrutura e dados organizados

A inteligência artificial generativa é a camada visível e atraente da tecnologia. Mas, para que um agente de IA entregue respostas precisas e não fabrique informações, ele necessita de uma fundação impecável.

No podcast, Felipe Wasserman destacou o papel de fundação técnica que a infraestrutura desempenha no mercado tech atual:

“A gente realmente é uma empresa mais de infraestrutura, né, pra preparar você pra IA… na essência meio Nvidia, sabe? O vendedor de marreta de ouro ganha mais do que a coisa. A gente é muito estruturado nisso.”

— Felipe Wasserman, Diretor de Marketing e Growth da Skyone

Ao ser questionado sobre qual será o futuro de empresas focadas em sustentação e dados, Robert enfatizou a busca do mercado por ecossistemas simplificados e unificados (turnkey solutions):

“O que eu vejo é que cada vez mais a gente quer uma turnkey solution, né. Uma empresa que você possa ir lá e a solução sai rápido dentro daquilo que você pediu. […] Hoje você tem uma colcha de retalhos… a tendência nos próximos anos é um auto-serviço onde você tem tudo.”

— Robert Dannenberg, CEO da Expo Money

A arquitetura da “Marreta de Ouro”: democratizar, integrar, transformar e automatizar

Para atender a essa demanda por soluções unificadas sem quebrar a operação existente, a jornada dos dados precisa cobrir um ciclo completo:

  1. Migração e modernização de ERPs (Skyone Autosky): antes de aplicar inteligência, as aplicações legadas e sistemas centrais precisam rodar em nuvem de forma ágil e sem a necessidade de reescrever códigos (Migração sem Alteração de Código).
  2. Integração unificada (iPaaS): conexão fluida através de mais de 400 conectores pré-construídos para eliminar silos operacionais e integrar ERPs, CRMs e bancos de dados.
  3. Organização e governança (Lakehouse / Data Warehouse / Data Lake): processamento e enriquecimento em tempo real dos dados estruturados e desestruturados.
  4. Agentes de IA e agentic workflows: aplicação de LLMs privadas e públicas sobre uma base confiável para executar automações, análises preditivas e consultas avançadas por linguagem natural.

5. Cibersegurança: a base inegociável para a era dos agentes autônomos

À medida que abrimos as portas para agentes de IA que consultam bancos de dados, enviam relatórios e executam ações em sistemas críticos, a Cibersegurança passa a ser o pilar que sustenta toda a credibilidade e continuidade do negócio.

Conectar sistemas via APIs e disponibilizar dados em nuvem exige uma postura proativa e multifacetada de proteção. No cenário atual, onde o tempo médio de detecção de um ataque cibernético chega a 277 dias e 85% dos vazamentos envolvem erro humano, a segurança precisa estar integrada à arquitetura de tecnologia:

Camada de DefesaSoluçãoImpacto no Negócio
Acesso e IdentidadeArquitetura Zero Trust, MFA e SSO (SAML 2.0)Garante que apenas usuários e dispositivos autorizados acessem os sistemas, isolando a aplicação corporativa.
Proteção de Perímetro e WebWAF (Web Application Firewall) e Firewall de RedeFiltra o tráfego HTTP/HTTPS, bloqueia ataques de bots, explorações da OWASP Top 10 e negação de serviço (DDoS).
Pontos de Acesso (Endpoints)EDR (Endpoint Detection and Response) com Machine LearningIdentifica comportamentos anômalos e ameaças fileless diretamente nos dispositivos com remediação e rollback automático.
Operação 24×7SOC / SIEM (Centro de Operações de Segurança)Coleta telemetria em tempo real, realizando correlação de eventos e resposta proativa a incidentes.
Fator HumanoTestes de Phishing e ConscientizaçãoReduz a superfície de ataque treinando colaboradores contra técnicas de engenharia social.


Conclusão: preparando sua empresa para o próximo ciclo

O papo entre Felipe Wasserman e Robert Dannenberg no Trend Off deixou uma lição transparente: as grandes ondas tecnológicas, seja a ascensão do modelo SaaS, a corrida da nuvem ou a explosão da Inteligência Artificial Generativa, cumprem seus ciclos de hype até encontrarem o pé na realidade prática do mercado.

A verdadeira vantagem competitiva das empresas não está em tentar adivinhar a próxima tendência “mágica”, mas sim em estruturar uma fundação de tecnologia ágil, com dados unificados, aplicações acessíveis em nuvem e cibersegurança rígida. É essa infraestrutura robusta que permite a adoção de agentes autônomos de IA capazes de escalar o negócio de forma sustentável.

Quer conferir todos os detalhes desse bate-papo incrível sobre empreendedorismo, mercado secundário, tendências de IA e futurismo?


Clique e ouça o episódio completo do Trend Off com Robert Dannenberg no Spotify!

Skyone
Escrito por Skyone

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