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O ransomware voltou a bater recorde no Brasil. Pelo terceiro mês consecutivo.
Em agosto, foram registrados 27 ataques no país, contra 26 em julho. É o maior número de ocorrências no Brasil em 2026 até agora, segundo dados do Ransomware.live, plataforma de monitoramento de vazamentos liderada pela Cohesity. No cenário global, o movimento foi ainda mais expressivo: foram 1.212 ataques em agosto, alta de 27% em relação aos 955 registrados em julho.
Até aqui, a leitura parece simples: o ransomware está crescendo e as empresas precisam se proteger.
Mas há um dado menos óbvio nessa história.
Enquanto o volume de ataques aumenta no Brasil, o mercado B2B foi na direção contrária.
Em julho, o B2B liderava o ranking dos segmentos mais atingidos, com 176 casos.
Em agosto, caiu para a terceira posição, com 136 ocorrências. Uma redução de 22,3% em apenas um mês. Foi o único segmento entre os dez mais atingidos a registrar queda no período.
Isso não significa que o B2B tenha deixado de ser um alvo relevante.
Pelo contrário. Mesmo depois da queda, foram 136 ocorrências, atrás apenas de manufatura, com 185, e tecnologia, com 161.
O ponto é outro: o crescimento geral do ransomware não está acontecendo de maneira uniforme entre os setores.
E essa diferença importa para quem toma decisões de segurança.
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Os dados de agosto mostram uma mudança interessante na distribuição dos ataques.
Manufatura cresceu 21,7%, chegando a 185 casos. Tecnologia avançou 27,8%, para 161. Saúde teve alta de 38,8%, chegando a 118 ocorrências. Serviços financeiros cresceram 38%, enquanto energia dobrou, de 16 para 33 casos.
O varejo e o e-commerce também subiram, embora em ritmo menor: 8,6%, chegando a 76 casos.
Ou seja, o recorde brasileiro acontece dentro de um cenário em que diferentes setores estão se comportando de maneiras bastante diferentes.
E isso muda a pergunta que empresas deveriam fazer.
Não basta mais perguntar:
“O ransomware está crescendo?”
A pergunta mais útil é:
“O que está fazendo determinados setores continuarem expostos enquanto outros mudam de posição no ranking?”
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Existe uma armadilha importante na leitura desse número.
Uma redução de 22,3% não pode ser interpretada automaticamente como sinal de que as empresas B2B estão mais protegidas.
Os números do Ransomware.live acompanham vítimas identificadas em sites de vazamento. Portanto, eles ajudam a enxergar a atividade conhecida de grupos criminosos, mas não representam necessariamente todos os ataques que aconteceram.
Além disso, ransomware não é apenas criptografia de arquivos.
Os ataques atuais podem envolver roubo de dados, extorsão, comprometimento de credenciais e interrupção de sistemas críticos. Em alguns casos, a ameaça está menos relacionada ao valor de um arquivo específico e mais à capacidade de parar uma operação inteira.
Esse ponto é especialmente relevante para empresas B2B.
Uma indústria pode ter sistemas conectados à produção. Uma empresa de logística pode depender de sistemas para roteirização e distribuição. Um fornecedor pode estar integrado aos ambientes de dezenas de clientes.
Nesses cenários, o impacto de um incidente não termina no ambiente diretamente atingido.
Ele pode atravessar a cadeia inteira.
Talvez a principal conclusão dos dados de agosto seja justamente essa: não existe uma leitura única para o ransomware.
O Brasil está em uma trajetória de alta. Agosto foi o terceiro mês consecutivo de crescimento e colocou o país na sexta posição entre os mais atingidos no mundo, empatado com a Índia, com 27 casos.
Ao mesmo tempo, o B2B caiu 22,3%, enquanto setores como saúde, tecnologia, manufatura e serviços financeiros aceleraram.
Olhar apenas para o número geral pode esconder essas diferenças.
Para os gestores de TI e segurança, isso significa que a discussão precisa sair do volume de ataques e chegar à capacidade de resistir a eles.
A pergunta não deveria ser apenas se a empresa consegue impedir uma invasão.
É preciso saber:
Porque, no fim, o ransomware não precisa necessariamente vencer a camada de segurança.
Ele precisa apenas encontrar um ponto em que a empresa não consiga continuar funcionando.
A queda do B2B em agosto é um dado interessante justamente porque impede uma conclusão fácil.
Menos ocorrências em um mês não significam necessariamente menos risco. Assim como mais ocorrências em outro setor não significam, sozinhas, que todas as empresas daquele segmento estejam igualmente vulneráveis.
O que os números mostram é que o cenário está mudando rapidamente.
E, quando o ransomware se espalha por setores com operações cada vez mais digitais e interdependentes, segurança precisa ser pensada junto com continuidade.
Prevenir continua sendo importante.
Mas uma empresa madura também precisa saber responder a uma pergunta bem menos confortável: se o ransomware conseguir entrar, quanto tempo a sua operação consegue ficar de pé?
É aí que a conversa deixa de ser apenas sobre cibersegurança e passa a ser sobre resiliência do negócio.
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