Se você trabalha com tecnologia, produto ou inovação, provavelmente já ouviu o termo “vibe coding”, e talvez também já tenha visto alguém construir um aplicativo inteiro apenas descrevendo, em linguagem clara, o que ele deveria fazer. Não é exagero. É uma mudança real na forma como o software é criado, e ela está acontecendo rápido.
Neste artigo, você vai entender o que é vibe coding, de onde vem o termo, como a prática evoluiu entre 2025 e 2026, o tamanho real desse mercado e, principalmente, o que muda quando essa tendência sai do notebook de um desenvolvedor entusiasta e entra na operação de uma empresa de médio ou grande porte.
Vibe coding é uma forma de desenvolver software em que a pessoa descreve, em linguagem natural, o resultado que deseja alcançar, e um modelo de IA generativa se encarrega de escrever, testar e ajustar o código correspondente. Em vez de programar linha a linha, o usuário conduz um processo de ciclos curtos: descreve a intenção, avalia o resultado gerado pela IA e refina com novos comandos até chegar à versão desejada.
O termo foi criado por Andrej Karpathy, ex-diretor de IA da Tesla e cofundador da OpenAI, no início de 2025. Segundo o próprio Karpathy, a essência da prática é confiar no resultado gerado pela IA e focar no produto final, sem se preocupar em entender profundamente cada linha do código produzido. O impacto do conceito foi tão grande que o dicionário britânico Collins o elegeu palavra do ano de 2025, e o Merriam-Webster passou a monitorá-lo como expressão em ascensão já em março daquele ano.
Na prática, existem hoje duas formas de aplicar o conceito:
Essa segunda camada é o que a indústria vem chamando, em 2026, de transição para a Engenharia de Software Agêntica: em vez de apenas sugerir trechos de código, os agentes de IA planejam, executam, testam e corrigem aplicações inteiras sob supervisão humana.
O fluxo típico de uma sessão de vibe coding segue quatro etapas:
É justamente na etapa 4 que a maioria das ferramentas de mercado, pensadas para desenvolvedores individuais ou pequenas equipes, mostra suas limitações quando o assunto é uso corporativo.
Os números ajudam a entender por que esse não é apenas mais um hype passageiro de tecnologia:
Analistas de mercado já apontam que, até 2027, a distinção entre “quem sabe programar” e “quem não sabe” deve ficar cada vez menos relevante: qualquer pessoa capaz de descrever com clareza o que precisa poderá transformar essa ideia em software funcional. É um movimento que reduz drasticamente a barreira de entrada para criar produtos digitais, dentro e fora das empresas.
Times de TI corporativos enfrentam um problema conhecido há décadas: mais demanda por sistemas do que capacidade de entrega. Backlogs de meses, MVPs que demoram para validar, e áreas de negócio que dependem de planilhas e e-mails para processos que já deveriam estar automatizados.
O movimento de “citizen development” vem crescendo junto com o avanço do vibe coding. Estimativas de 2026 apontam cerca de 16,2 milhões de citizen developers no mundo, um aumento de 38% em relação ao ano anterior. A projeção é que esse número ultrapasse 25 milhões até 2028, enquanto o Gartner prevê que, em grandes empresas, os citizen developers poderão superar os desenvolvedores profissionais em uma proporção de até 4 para 1.
Mas há uma ressalva importante, e ela é o assunto do nosso próximo artigo: gerar uma tela funcional é fácil. Gerar uma aplicação segura, integrada aos sistemas da empresa e sustentável no médio prazo é outra história completamente diferente, e é aí que a maioria das ferramentas de vibe coding do mercado, pensadas para uso individual, encontra seu limite.
Um dos efeitos mais interessantes dessa mudança é o deslocamento de quem participa da criação de software. Gestores de produto, analistas de negócio, times de operações e até áreas administrativas passaram a transformar ideias em aplicações funcionais em horas, sem depender de conhecimento técnico profundo. O papel do profissional técnico também muda: em vez de gastar a maior parte do tempo com sintaxe e lógica de baixo nível, passa a validar arquitetura, garantir que a solução está alinhada aos objetivos do negócio e supervisionar a qualidade do que a IA produz.
| Pergunta | Resposta rápida |
| O que é vibe coding? | Criar software descrevendo em linguagem natural o que se quer, deixando a IA gerar o código |
| Quem criou o termo? | Andrej Karpathy, em fevereiro de 2025 |
| Serve só para prototipagem? | Na versão “pura”, sim. Na versão corporativa, pode chegar à produção, com as devidas camadas de governança |
| Qual o maior risco? | Aplicações desconectadas dos dados reais da empresa e sem controle de segurança |
| Para quem é? | De desenvolvedores a áreas de negócio, dependendo da plataforma usada |
Entender o conceito é o primeiro passo. O segundo é entender por que, sem a camada certa de dados, integração e governança, o vibe coding pode virar um passivo técnico em vez de um acelerador de negócio, tema que aprofundamos no próximo artigo desta série, sobre os riscos do vibe coding corporativo e como mitigá-los.
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