O mercado de entretenimento e tecnologia passou por uma metamorfose profunda nas últimas duas décadas. Da era das locadoras físicas ao domínio absoluto do streaming, o comportamento do consumidor e as estratégias das marcas precisaram se adaptar a um mundo onde o acesso venceu a posse.
Em um episódio recente do podcast TrendOff, Vicente Carrari, Diretor de Ad Sales do Spotify (com passagens marcantes pelo Google e startups de educação), compartilhou uma visão analítica sobre como a tecnologia moldou a indústria fonográfica e quais são os próximos passos para a publicidade em áudio.
Neste artigo, exploramos os principais pontos dessa conversa, desde a “algoritimização” do gosto até a força da nostalgia como ferramenta de marketing.
A transição do meio físico para o digital não foi apenas uma mudança de suporte, mas uma solução para uma crise de legalidade no mercado fonográfico. Como Carrari pontua, o formato CD perdeu o sentido quando o download não autorizado se tornou a norma.
O Spotify surgiu como um verdadeiro “centro de distribuição oficial”, garantindo direitos autorais e oferecendo duas frentes de monetização:
Essa “conjunção de fatores”, a falta de vontade de comprar CDs, a necessidade de plataformas rápidas e a introdução de camadas de inteligência e recomendação, foi o que consolidou o streaming.
Um dos pontos mais fascinantes da discussão é a mudança na forma como as gerações se identificam com a música. Antigamente, o gosto musical era um fator de exclusão social: ou você era do rock, ou do pop, ou do samba.
Hoje, vivemos a era da não tribalização. O mesmo usuário que ouve Kiss pode ter em sua playlist Pedro Sampaio e Beethoven. Para os profissionais de marketing, isso representa um desafio imenso:
Em um paradoxo tecnológico, enquanto o streaming oferece acesso infinito a custos baixos, o mercado de vinil vive uma renascença, com discos sendo vendidos a preços elevados.
Carrari atribui isso a um viés nostálgico forte e à necessidade de um “charme mecânico” que o digital não oferece. A nostalgia tornou-se uma tendência global, visível desde os comerciais do Super Bowl até séries como Stranger Things.
O vinil representa o “artesanato” da música: o ato manual de virar o lado, a arte macro do encarte e a escuta sem interrupções de notificações de celular.
Diferente das redes sociais que operam sob a lógica do FOMO (Fear of Missing Out) e do scroll infinito, o áudio digital, especialmente no Spotify, é visto como um refúgio.
“Quando eu ligo o Spotify, eu não olho a tela. Eu mergulho no meu mundo.”
Essa característica sinestésica do áudio permite que as marcas impactem o usuário em momentos onde as telas são barreiras: durante uma corrida, dirigindo ou realizando tarefas domésticas. Além disso, a neurociência explica que o áudio tem prioridade no processamento cerebral por questões evolutivas, ouvimos perigos antes de vê-los.
O Spotify, que demorou a entrar no mundo dos podcasts, hoje vê o formato como uma ferramenta poderosa de pluralidade de vozes. O futuro aponta para:
O futuro da propaganda no streaming foge dos blocos comerciais chatos e entra no campo do entretenimento. Exemplos como campanhas que usam músicas inteiras como anúncios ou regravações de clássicos por marcas mostram que a conexão por amizade e reciprocidade é mais eficaz do que a simples persuasão comercial.
A tecnologia permitirá, em breve, calcular o ROI (Retorno sobre Investimento) de forma muito mais precisa, identificando exatamente qual a probabilidade de compra de um usuário após ouvir um anúncio em áudio.
A conversa entre Vicente Carrari e os hosts do TrendOff mergulha ainda mais fundo em temas como a cultura das startups, os desafios da educação no Brasil com o projeto Isaac e as tendências de futurismo para a TV. Quer conferir o papo na íntegra?
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